Categoria: Histórias
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Vai pagar em dinheiro?
Meu avô colocou seu apartamento de frente para o mar na Praia do Canto para vender, pois este tinha ficado muito grande para ele e minha avó somente. Colocou à venda, mas com coração partido, pois gostava dali.
Quem já leu a história do meu avô sabe como ele tinha sido pobre e como lutou para conquistar as coisas na vida. Quem acompanha também sabe que paciência não era o seu forte.
Um belo dia, chega um potencial comprador, e meu avô o acompanha em um tour. O cliente começa a colocar os mínimos defeitos em um apartamento que estava impecável. E critica os móveis da sala, a cozinha e tudo que podia. Conhecendo sua delicadeza, não sei como meu avô não mandou ele se f#^% na hora.
No dia seguinte, toca o telefone. Era o infeliz do dia anterior, o que não era surpresa pro meu avô.
Depois de se anunciar, o cliente informa que estava interessado em fazer negócio, e pergunta sobre o desconto por conta dos problemas identificados.
Com toda a calma, que não era sua característica, meu avô pergunta: “Você vai pagar em dinheiro?”
E o cara reponde: “Vou sim”
E o velho profere sua espada: “Então pega as notas, enrola todas direitinho, E ENFIA NO MEIO DO SEU C#!!” Kkkkkk
Acho que depois desse dia o cara pensou duas vezes antes de usar essa tática. Essa foi uma contribuição para o mundo do efeito educador do velho Mannato.
– Por Pedro Henrique Mannato Coutinho
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Não vai dar nem um beijinho, doutor?
Após o transplante de coração, meu avô estava internado em São Paulo. Já no quarto do hospital, era submetido a vários exames, um deles era o toque retal. Quando o médico anunciou que chegou para fazer o exame de próstata, minha avó, sem jeito, saiu logo do recinto.
Após tomar a fatídica dedada, o médico fala que está tudo bem e se dirige para porta.
Meu avô, diz: “Espera ai, doutor”
E o médico: “O que foi”?
O velho Mannato, como era chamado pelos amigos, logo retruca:”Já vai assim? Não vai dar nem um beijinho, doutor?”
O médico vai embora rindo, e minha avó entra no quarto, vermelha de vergonha.
– Por Pedro Henrique Mananto Coutinho
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Pedrinho é o Ca#%£#
Quando eu tinha uns 4 anos, meu avô me chamou no canto e falou que eu não podia deixar ninguém me chamar de Pedrinho. Ai ele me explicou como eu devia proceder caso isso acontecesse.
Pois bem, um dia ele me levou no Banco do Brasil, onde trabalhava como médico, sendo que já tinha provocado os colegas dizendo que eu não gostava de ser chamado de Pedrinho, e para chamar e ver o que acontecia.
Chegando lá, vem o primeiro: “E aí Pedrinho, tudo bem?”.
De imediato, lembro dos ensinamentos do meu avô, coloco a mão no pinto e aperto (a la Michael Jackson) e respondo com a saudação: “Pedrinho é o car@|#%^”. Kkkkk
Desde esse dia, não tinha uma vez que visitava o banco sem fazer um tour por todas as baias respondendo a todos que me chamavam de Pedrinho.
– Por Pedro Henrique Mannato Coutinho
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Uma outra historia que eu amo, e é uma das minhas primeiras lembranças da vida
Eu achava o vô Hélio o ser humano mais inteligente do mundo, aí um dia tive um trabalho no colégio que era pra decifrar charadinhas, eu não estava nem na alfabetização ainda. Eu fiquei travado em vários e aí pedi pra mamãe ligar pro vovô porque ele deveria saber. “Vô, o que é que quanto maior, menos a gente vê?” e um segundo depois “A escuridão.” “Vô, o que cai em pé e corre deitado?” E na hora “A chuva.” E foi assim umas dez charadas. Ele sabia todas! Realmente a pessoa mais inteligente que eu conheço.
– Por Ricardo Mannato Bolelli
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Achei isso numa gaveta minha
Ele enviava por correio fotos pra mim da familia, da gente, dos primos, das árvores e da casa de Domingos Martins e comentadas com um textinho dele atrás. Me emocionei muito com uma foto que era eu e vovó e a legenda atras era “Todo mundo estamos felizes. Falta o vô Helio”.
– Por Ricardo Mannato Bolelli
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Epitáfio
“Aqui jaz um lutador. Em tudo que fez, sempre botou amor. Quando fez amor, sempre botou tudo”
– Hélio José Mannato
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“O primeiro ser vivo que pisou sobre a Terra…”
“O primeiro ser vivo que pisou sobre a Terra…”
Foi assim que Vovô Mannato anunciou qual seria sua próxima escultura. Seria chamado de Penissauro. O ano era 1993, eu tinha pouco mais de 7 anos de idade, e estávamos no camping do Putiri, provavelmente em um dos muitos fins de semana que passávamos lá. Lembro da escolha da madeira, um bloco de cedro de aproximadamente 10 x 10 x 40 cm e de quando ele me pediu que desenhasse uma pata de dinossauro pra usar de modelo.
Passei as férias de julho no camping, vendo dia após dia a criatura ganhar forma nas mãos do Vô. Passávamos horas ali sentados. Ele, de luva e estilete em mãos desbastando a madeira e eu apenas assistindo e ouvindo as suas histórias. No fim das férias algumas formas já eram identificáveis, como as patas e a cauda. Mas a parte principal ele deixaria pro final. “Preciso conferir com mais calma o modelo”, ele dizia.
As férias acabaram e não pude mais acompanhar tão de perto o processo de criação. Vovô vivia fazendo suspense sobre a obra e eu estava ansioso pra ver o resultado final. A obra começou a ficar famosa e a chamar a atenção das pessoas. Inclusive tive que trapacear num sorteio pra garantir a posse daquela que seria a obra-prima do velho Mannato (ou pelo menos uma de suas obras mais famosas!).
17 de novembro de 1993 caiu numa quarta-feira. Não sei se foi exatamente nesse o dia em que eu finalmente ganhei o Penissauro de presente, mas é a data pirografada nele. Lembro da família reunida no antigo apartamento na Praia do Canto, edifício Itamarati, e do Vô me entregando a peça, apontando inclusive para o meio das pernas do bicho: “É macho, olha!”.
– Por Bruno Mananto Angius







